terça-feira, 6 de outubro de 2009

São Paulo

São seis da manhã na " terra da garoa ", olhos se abrem para mais uma rotina incessante enquanto olhos vão se fechando após uma incrível noite agitada. Já é possível escutar o barulho dos despertadores, da cafeteira produzindo seu líquido estimulante e do esfregar da manteiga no pão francês que acabou de sair do forno. A cidade começa a se movimentar e não pára mais. Jorge está mais uma vez andando pelas ruas de sua cidade preferida; São Paulo, a caminho do seu trabalho. Muito barulho, muita luz, muitas pessoas. Tudo em excesso.

No caminho, Jorge passa por muitos lugares; Parque do Ibirapuera, um verde vivo, intenso e brilhante. As águas do lago sempre em sintonia com o nascer do sol alaranjado. Centro da cidade; lugar misterioso, aglomerado de prédios e pixações nos muros . Milhares de pessoas caminhando com pressa de um lado para o outro da Aveninda. O trânsito é de carros, pessoas, animais e mendigos.

Jorge não tem tempo para distrações, esta obcecado com suas tarefas, só olha para frente em seu carro esperando finalmente pisar em sua agência e por a mão na massa. Enquanto a música toca alto em seu carro, fora da sua janela carros rangem os motores, buzinas soam, luz dos semáforos para todos os lados, a poluição visual das propagandas coloridas e ofuscantes que tentam chamar sua atenção mas não conseguem. Todo dia é sempre assim.

Foi na manhã de nove de novembro de 2006 que ao sair para o trabalho, como fazia todas as manhas, as cores da cidade mudaram. Não se via mais mais o verde dos canteiros, a luz dos semáforos, as cores dos carros ou os escritos nos muros. Tons de cinza tornavam a cidade sombria e fria.

Diante da escuridão tudo ficou sem explicação. Sentimentos nao existiam, alegria foi esquecida e a esperança enterrada. A cidade continuou com o seu ritmo incessante. O fim do mundo? Talvez. Preocupação? Nenhuma.

Jorge sequer notou a ausência de cor e de vida em sua cidade, mantendo a mesma rotina, saíra de casa tranquilamente nesse dia e como sempre fez tudo sempre igual.

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