terça-feira, 3 de novembro de 2009

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

CIdade das tintas

Quem passa, mal repara. Só olha, não vê. O ocre do asfalto, o bege do céu, o verde disperso, a luz do sinal. É tudo rápido, passageiro. Pessoas que se esbarram e não se olham. Se cruzam, mas não se encostam. Se levam muito a sério.

A diversidade das cores se mostra nas peles. No calor que sobe das pedras do seu chão e torna o ar avermelhado. Avenidas azuladas pelos vidros de prédios modernos cujo frio deixa a cidade cinza.

Mas andando mais um pouco, há um buraco. Um pedaço. Uma explosão de amarelos, vermelhos e laranjas. E embora o colorido seja formado por vários pedaços monocromáticos, há um lugar onde a arte domina, a música encanta e as cores se juntam. A cada sopro do vento, a cada esquina virada, um novo tom.


Os passos das pessoas que pisam em baldes coloridos e de preto e branco, marcam no chão os pensamentos e a arte movimentada no meio do frio e da fome que se passa debaixo das pontes.

Tudo junto, numa coisa só. Ainda há tempo, ainda há idéias, ainda há. Não se sabe por quanto tempo, tampouco quanto vai durar.

anúncio antitabagismo

Filho de pais fumantes, cigarro nunca foi nenhuma novidade para mim. Foi do meu pai que eu peguei, escondido, meu primeiro maço e repassei para muitos garotos da escola. Atrás do banheiro do zelador, apresentei o fumo para outros tantos colegas e foi tragando que conquistei minha primeira namorada.

No começo, era só diversão: Ficar na frente do cinema, cigarro numa mão, soda na outra, e todo mundo me olhando. Mas, aos poucos, tudo foi mudando. Passei a ficar irritado, tenso, se não fumasse. Já não recorria ao cigarro para 'me exibir' - na maioria das vezes, era escondido que eu fumava. Era a família desconfiada, leis proibindo, amigos se afastando.. Sabia que aquilo não podia continuar.
Foi difícil me acostumar com a rotina sem o cigarro. Para driblar o nervosismo, passei a me dedicar ao esporte. Hoje eu represento minha cidade em competições de natação por todo o país - o que seria impossível se o cigarro ainda fizesse parte da minha vida.

depoimento de Jonas Silva, 14 anos.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O ADEUS

Ele chegou em casa e fechou o portão. Travou as janelas,
trancou as portas. Passou corrente, correia, cadeado
Tudo hermeticamente fechado.
E a chave? Ela levou.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

São Paulo

São seis da manhã na " terra da garoa ", olhos se abrem para mais uma rotina incessante enquanto olhos vão se fechando após uma incrível noite agitada. Já é possível escutar o barulho dos despertadores, da cafeteira produzindo seu líquido estimulante e do esfregar da manteiga no pão francês que acabou de sair do forno. A cidade começa a se movimentar e não pára mais. Jorge está mais uma vez andando pelas ruas de sua cidade preferida; São Paulo, a caminho do seu trabalho. Muito barulho, muita luz, muitas pessoas. Tudo em excesso.

No caminho, Jorge passa por muitos lugares; Parque do Ibirapuera, um verde vivo, intenso e brilhante. As águas do lago sempre em sintonia com o nascer do sol alaranjado. Centro da cidade; lugar misterioso, aglomerado de prédios e pixações nos muros . Milhares de pessoas caminhando com pressa de um lado para o outro da Aveninda. O trânsito é de carros, pessoas, animais e mendigos.

Jorge não tem tempo para distrações, esta obcecado com suas tarefas, só olha para frente em seu carro esperando finalmente pisar em sua agência e por a mão na massa. Enquanto a música toca alto em seu carro, fora da sua janela carros rangem os motores, buzinas soam, luz dos semáforos para todos os lados, a poluição visual das propagandas coloridas e ofuscantes que tentam chamar sua atenção mas não conseguem. Todo dia é sempre assim.

Foi na manhã de nove de novembro de 2006 que ao sair para o trabalho, como fazia todas as manhas, as cores da cidade mudaram. Não se via mais mais o verde dos canteiros, a luz dos semáforos, as cores dos carros ou os escritos nos muros. Tons de cinza tornavam a cidade sombria e fria.

Diante da escuridão tudo ficou sem explicação. Sentimentos nao existiam, alegria foi esquecida e a esperança enterrada. A cidade continuou com o seu ritmo incessante. O fim do mundo? Talvez. Preocupação? Nenhuma.

Jorge sequer notou a ausência de cor e de vida em sua cidade, mantendo a mesma rotina, saíra de casa tranquilamente nesse dia e como sempre fez tudo sempre igual.